ENTREVISTA | ISRAEL VANCOUVER EM: Viver a cultura, viver a cidade.
- Estrelinha News

- 25 de jul.
- 4 min de leitura
Em um cenário onde a cultura de Fortaleza segue sendo construída por múltiplas vozes, o artista da música, jornalista e escritor Israel Vancouver escolheu transformar a cultura da cidade em protagonista. Unindo reportagem, histórias e literatura, ele desenvolveu o livro reportagem Viver a cultura, viver a cidade: histórias e percepções sobre espaços de arte em Fortaleza, trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), aprovado com nota máxima pela banca examinadora.

A obra percorre equipamentos culturais como a Biblioteca Estadual do Ceará (Bece), a Pinacoteca do Ceará, a Estação das Artes, os CUCAs, o Theatro José de Alencar e a Casa de Vovó Dedé para revelar não apenas a história desses espaços, mas as pessoas que lhes dão vida. A partir de uma escrita sensível e autoral, Israel propõe um olhar otimista e saudoso sobre a cultura em Fortaleza, colocando em evidência as experiências, os afetos e as narrativas que fazem da cultura um elemento essencial da identidade desse lugar.

Em entrevista ao Estrelinha News, Israel Vancouver fala sobre a emoção de concluir sua graduação com reconhecimento máximo, a escolha por uma linguagem que aproxima jornalismo e literatura, as descobertas feitas durante a pesquisa e o desejo de publicar a obra, ampliando a riqueza cultural da capital cearense:
1.Teu livro foi aprovado com nota máxima na banca de Jornalismo da UFC. Como foi viver esse momento da defesa e receber esse reconhecimento da universidade?
É um misto de emoções, porque ao mesmo tempo que uma defesa de TCC tem um peso enorme antes de acontecer, ela acaba sendo só mais uma etapa para concluir toda uma jornada de conhecimento dentro da universidade. O nervosismo é natural, mas ninguém sabia falar sobre aquilo melhor do que eu, então considero a nota máxima uma mera consequência de um trabalho feito com muito carinho para finalizar esse processo que não é fácil. Comparo esse reconhecimento como um atleta que recebe uma medalha depois de muito tempo treinando e se esforçando para ganhar alguma competição.
2.Viver a cultura, viver a cidade mistura jornalismo e literatura para contar histórias de Fortaleza a partir das pessoas e dos espaços culturais. O que te levou a escolher esse formato mais narrativo e subjetivo para falar da cidade?
É uma resposta um pouco complexa... Acho que qualquer cidade tem muito a contar, mas só consegue fazer isso a partir do seu povo, das suas estruturas, da sua história que está exatamente nesses patrimônios materiais e imateriais. Quando falamos de Fortaleza, acredito que isso se potencializa mais ainda, por ser uma cidade com uma cultura tão pulsante e um povo tão engajado a viver a cidade a partir dessa característica.
Se for procurar a história de Fortaleza, detalhes sobre a cidade, vários materiais mais técnicos já serão achados. Queria ir além disso, trazer Fortaleza por outros olhares e contar isso a partir do meu olhar, enquanto cidadão apaixonado que também vive a cidade a partir da cultura.
São quase três milhões de pessoas construindo suas histórias nesse espaço. Não tem como considerar isso um mero dado jogado. Narrar tudo isso de forma subjetiva é parte de um reconhecimento da grandeza desses fatos.
3.Durante a pesquisa, tu visitou lugares como a Bece, a Pinacoteca, a Estação das Artes, os CUCAs e a Casa de Vovó Dedé. Qual encontro, história ou percepção mais te marcou ao longo dessa imersão nesses espaços?
Conhecer um pouco mais de cada espaço desse foi muito significativo. Adorei saber quem faz o TJA funcionar, por exemplo, e também entender melhor o que as pessoas que frequentam a Casa de Vovó Dedé pensam sobre ela. Mas o que mais me marcou foi saber um outro lado da relação do cantor Alek Martins com o CUCA. Já sabia que existia uma proximidade ali, mas não que tinham tantas camadas em volta disso. Acabou que resolvi fazer um capítulo inteiro sobre essas "histórias cruzadas".
4.Depois dessa conquista, quais são os próximos passos e o que tu espera que esse trabalho deixe como legado?
Acho que é mais uma obra para reforço de identidade. Esse livro diz muito de mim como jornalista e comunicador, sem deixar de lado a arte, que é o que me move. Também representa um sonho de infância de me tornar escritor. A ambição é mais relacionada a mim mesmo, de mostrar que sou capaz de ir além das minhas próprias expectativas. Ainda quero publicar a obra também, para finalizar esse processo da melhor forma.
Ao final da conversa, Israel fez questão de agradecer a todas as pessoas que contribuíram para a construção do livro, especialmente aos entrevistados, à orientadora Ana Cláudia Peres, responsável por incentivar a pesquisa desde as aulas de Jornalismo de Cidades, e à família — incluindo os amigos, que ele considera parte dessa base afetiva.

Ele também deixou uma menção especial ao cantor Alek Martins, cuja trajetória integra um dos capítulos da obra e que contribuiu para ampliar o alcance do projeto registrando esse momento ao fazer parte da equipe de curadoria desta plataforma.
Para Israel, o livro é apenas um ponto de partida. Fortaleza ainda guarda inúmeras histórias sobre sua cultura e seus espaços de arte, esperando por novos olhares, novas pesquisas e futuras publicações que continuem registrando a potência cultural da cidade.








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