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ENTREVISTA | MAGIA FALA TUDO SOBRE "VOZ DO BRASIL"

  • Foto do escritor: Estrelinha News
    Estrelinha News
  • há 7 dias
  • 5 min de leitura

ENTREVISTA COMPLETA SOBRE COREOGRAFIA DE “VOZ DO BRASIL” COM MAGIA


Em dezembro de 2025, a artista e coreógrafa fortalezense Magia lançou o vídeo oficial da coreografia de "Voz do Brasil". O trabalho rapidamente atravessou fronteiras, alcançando milhões de visualizações e mobilizando uma forte comunidade digital. Meses depois, a coreografia ganhou uma nova interpretação assinada por Aline Maia e protagonizada por Urias, ampliando ainda mais o alcance da obra e reacendendo discussões importantes sobre autoria, reconhecimento e creditação na dança. Em conversa exclusiva ao Estrelinha News, Magia fala sobre o processo criativo, repercussão nacional e os próximos passos de sua trajetória artística.



Como foi a preparação para o lançamento do primeiro vídeo dança de "Voz do Brasil"?

Primeiro, é uma satisfação enorme receber o convite do Estrelinha News para falar sobre esse momento tão especial. Fico muito feliz em poder compartilhar um pouco da história por trás de "Voz do Brasil" e de tudo o que esse trabalho vem movimentando.


A pesquisa para "Voz do Brasil" começou ainda em novembro de 2025. Foi um processo longo, atravessado por muitas experimentações, estudos e descobertas. O primeiro vídeo publicado foi um solo gravado no Cuca Mondubim ainda em Novembro.



A coreografia surgiu a partir de um freestyle que fui lapidando, modulando e customizando ao longo do tempo. Sempre que eu performava, percebia que existia uma resposta muito forte do público. Mesmo assim, quando decidi publicar o vídeo, não estava pensando necessariamente em números ou em como as pessoas receberiam aquilo.


Para mim, produzir e publicar um vídeo é uma forma de concluir uma obra. É uma sensação muito parecida com finalizar uma apresentação no palco, só que, nesse caso, no palco digital. Eu queria simplesmente colocar aquela criação no mundo, quero dizer, pra além do campo da minha imaginação.


Eu sentia muito aquela obra e pensava: "Quem estiver na mesma vibração vai captar essa energia". E foi exatamente o que aconteceu. A coreografia ultrapassou 1,5 milhão de visualizações e a recepção foi muito emocionante.


Depois desse primeiro momento, convidei três profissionais da dança e amigas de longa data para colaborarem na continuação do projeto. Com produção da Casa Cultural STUD!O, Wiggo Records e do coletivo de dança ESET8, desenvolvemos uma nova etapa da obra e tivemos um retorno maravilhoso mais de 4 milhões de visualizações na coreografia e centenas de reproduções na internet.


Logo vieram comentários da Urias, do Major RD e centenas de mensagens do público se identificando com a coreografia. Muitas pessoas começaram a reproduzir os movimentos, criando uma corrente muito bonita nas redes.


Com toda essa repercussão, abrimos um workshop oficial da coreografia, realizado no dia 27 de abril de 2026, no Cuca Mondubim, com apoio da Rede Cuca, Casa Cultural STUD!O, Wiggorecords e Sala do Evíh.



Foi um encontro muito especial, porque para além de ensinar passos, discutimos presença cênica, corpo, alma e o que significa estar verdadeiramente em cena.


Qual foi sua reação ao assistir ao remake produzido por Aline Maia com participação da Urias?


Quando vi o vídeo publicado pela Aline Maia ao lado da Urias, achei que estava delirando. Foi uma sensação indescritível.



Ver duas artistas tão importantes da cena brasileira reproduzindo uma coreografia que existia apenas na minha cabeça, ainda em novembro do ano passado, fortaleceu ainda mais minha confiança nas ideias que surgem dentro de mim. Me mostrou a importância de acreditar, executar e colocar nossos sonhos no mundo.


Recebi muitas mensagens da minha comunidade, da minha família e inúmeros reposts. Fiquei realmente em êxtase.


Ao mesmo tempo, a cena nordestina sempre esteve muito atenta às questões de reconhecimento, justamente porque historicamente nossos artistas nem sempre tiveram sua arte, produção e pesquisa devidamente valorizada. Rapidamente, muitas pessoas perceberam uma creditação considerada tímida por parte da equipe por trás da publicação e começaram a manifestar esse incômodo.


Recebi inúmeras mensagens perguntando: "Cadê a creditação da criadora no post?", "Por que a Magia está sendo marcada apenas nos comentários?" ou até mesmo "Por que ela não foi convidada para participar do vídeo?".


Afirmo que entendo todas as questões de logística e timing pra esse encontro acontecer mas também preciso me posicionar quanto a compensação disso, e trago aqui as palavras do meu amigo e artista Alek Martins que escreveu um texto nos comentários fundamentando esse incômodo:



Acredito que essa mobilização demonstra não apenas o carinho das pessoas pelo nosso trabalho, mas também uma consciência coletiva muito importante sobre autoria, memória e valorização dos artistas independentes nordestinos.


O coletivo abriu uma chamada aberta para o filme dança de "Voz do Brasil". Como tem sido esse processo?


Senti profundamente que "Voz do Brasil" merecia ganhar uma versão em filme-dança, com um corpo de baile potente e uma construção coletiva. Quando essa ideia surgiu, compartilhei com meus sócios e eles abraçaram imediatamente o projeto.



A partir daí iniciei uma nova etapa de pesquisa coreográfica e abrimos uma seleção para pessoas interessadas em participar desse processo formativo e artístico.


Os ensaios começaram no início de junho e têm sido uma experiência muito rica. Está sendo maravilhoso conhecer novas pessoas com verdadeira fome de estar em cena, aprender, evoluir e construir coletivamente.


Acredito que essa obra será repleta de aprendizados e poderá gerar frutos muito importantes para o futuro da dança em Fortaleza. Estamos muito confiantes e felizes com tudo o que está sendo construído.


Como você se enxerga hoje como artista e coreógrafa? Quais são suas perspectivas para o futuro?


Hoje vivo um momento de profundo encontro e sincronia com aquilo que acredito ser minha missão no mundo.


Tenho integrado diferentes áreas que estudo há muitos anos (teatro, educação, terapia, dança, música, moda, performance e movimento) e percebo que todas elas conversam entre si dentro da minha prática artística.


Comecei minha trajetória em 2017, aos 14 anos. Agora, em 2026, com mais maturidade e reconhecendo com amor o corpo e a mente que possuo, sinto que estou produzindo de maneira mais verdadeira, forte e consciente.


Quero continuar criando, pesquisando e fortalecendo a cena artística da minha cidade, sempre a partir da verdade do meu corpo e da minha história.


Depois de tantos nomes artísticos, por que você se reconhece hoje como Magia?


Magia também foi um encontro.


Meu nome é Maria Gilvana Nascimento dos Santos. "Magia" nasce justamente dessa junção: o "Ma" de Maria, o "Gi" de Gilvana e o " A " foi uma das primeiras palavras que definiu "deus" e era algo como arfar, aquele ar que sai como um " arrrrhh" na respiração num momento de contemplação, êxtase, sensações boas pra alma. Uma pesquisa espiritual e simbólica que eu realizo nesse momento da minha vida.


Ao longo da minha trajetória, diferentes pessoas me chamaram por diferentes nomes. Minha família e amigos antigos me chamam de Gil ou Maria. Algumas pessoas me chamam de Flor, muito por conta do meu processo de amadurecimento, nome que fortaleci dentro do grupo musical do qual faço parte o REAL e pelo amor que tenho pelas flores.


Já em cena, tenho encontrado a Babuína, uma força guia que atravessa minhas performances e que se manifesta quando estou no palco.


Hoje não vejo conflito entre nenhum desses nomes. Me reconheço como uma artista pessoa fluida. Sou todos eles, em tempos, espaços e contextos diferentes, e tenho muita vida e coragem pra ser todas as que ainda virão, valeu estrelinha!

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